Férias com Filmes II

20 dezembro, 2011


Andava para ver este filme desde Março, altura em que vi o trailer. Christopher Plummer há de ser sempre o eterno Capitão Von Trapp e Ewan McGregor é nome mais que conhecido no Cinema. Achei o conceito de pai que se revela homossexual depois da morte da mulher com quem estava casado há anos interessante e a relação com o filho. Mas é um filme que acaba por não ter uma abordagem fixa num ponto da história, mas sim  todo um conjunto de temas que nunca são explorados e ficam pela raiz. O estilo do filme, as cenas, os desenhos do personagem são interessantes. Não é, de todo, um filme de cinema fácil de mastigar. Mas acaba por ser um filme que não cria paixão. Ao contrário do que pensava a minha vida não mudou depois de o ver. Se bem que o papel de Mélanie Laurent é simplesmente brilhante e é de facto uma mulher linda (Francesas, orgulhem-se!).
Um filme a ver um pouco mais pela sua beleza que pelo seu conteúdo, embora com um guião extremamente interessante.

Férias com Filmes

La Piel Que Habito (2011)

Sou um fã eterno dos filmes de Almodóvar. A verdade é que a representação do universo feminino, da personalidade da mulher, o estilo, a fotografia, o conceito é sempre genial. Sem falar que fá gozo ouvir espanhol, dá gozo ouvir música espanhola e ver o guarda-roupa. É sempre tudo preparado até ao mais pequeno detalhe.
Estava curioso com este, até porque é o regresso de Banderas aos filmes de Almodóvar. As minhas expectativas eram mais que muitas. E na verdade é um filme interessante, que mistura as loucuras de vários personagens (como de costume) numa história interessante e complexa. Mas, deixa a desejar. Não tem a magia de outros filmes do realizador nem consegue captar tanto a atenção. O estilo está lá mas parece nunca atingir o seu auge. Um filme a ver porque continua a ser interessante, embora sendo do realizador que é, poderia ser bem melhor. 

Decisions, Decisions, Decisions

07 dezembro, 2011

The last couple of days have been strange. I dont actually know what Im feeling. everything seems good in the outside, I am totally happy with my friends, living in Milan is a pretty amazing thing and yet I cant shake of this feeling of dissapointment. I feel like for most of my life Ive been failing things, my drivers license, the stupid economic classes, school in general. I feel such a failure all the time, I dont want do to stuff, I dont want to work, I dont even want to write. I keep whining about everything, I keep letting myself down.
Well, off now.
To somewhere.
I dont even know what I want

Novembro - A arte de viver e não escrever

27 novembro, 2011

'8 semanas'
Diz-me a Kerri. Estamos todos aqui há mais ou menos oito semanas. Oito semanas em Milano, em Itália, fora de casa, num mundo novo. Sozinhos talvez. Pobres, no meu caso, com dinheiro para pagar a renda e pouco mais. Mais ou menos felizes.
8 semanas. Parece-me um ano. Portugal está lá longe e todos os problemas estão afundados nessa distância. A casa de Sacavém, as memórias, a minha mãe. Hoje desliguei o telefone, ela anda louca outra vez. Mas desligo o telefone. Já sou capaz de simplesmente desligar o telefone. Raios partam o resto.
De qualquer forma, parece-me egoísta não andar a escrever nada, andar a ignorar o meu espaço aqui, o meu espaço tão fiel durante tanto tempo.
A verdade é que ando a tentar dominar a arte de viver. A arte de sair, de conhecer, de ser um turista, de ser interessado.
Os dias correm. Nem todos são bons, nem todos os dias tenho orgulho de mim, nem todos os dias acho que fiz a coisa certa. Mas viver também é aprender a aceitar esses pedaços de mau momento, essas más decisões.
Mudei muita coisa em mim. Perdi o apetite de comer por exemplo. Longe vão os dias em que comia que nem um animal a tentar acalmar uma fome de alma.
Agora fumo, fumo e fumo e fumo muito mais do que alguma vez fumei. Agora vivo, agora...sou novo.
Parece-me um ano, porra, 8 semanas e parece que já me aconteceu de tudo.
E a vontade de voltar a Portugal e ser apreciado como uma fénix renascida das cinzas nasce. Tenho saudades dos meus amigos, dos meus parentes, da minha casa na Armona, mas quero tanto exibir-me. Exibir a tatuagem que trago na alma de ter vivido estes dois meses em Itália, de exibir as minhas histórias, de me exibir. De erguer bem alto a minha cabeça para todos aqueles que um dia não acreditaram.
Não é um bom sentimento bem sei. Não é algo muito nobre, muito bom, mas começo a aceitar as minhas imperfeições e a tentar viver com elas. Vou me exibir um bocadinho, chegou a altura de eu ser Rei do meu próprio baile.

I'm Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuucked.

05 novembro, 2011

Dinheiro. Dinheiro. Dinheiro.
Sinto-me gerente de um banco na bancarrota. Montes de contas, montes de pessoas a pedir dinheiro e nada. Pobre em Milão. Pelo menos sou fashion.
Deus queira que a querida Caixa Geral de Depósitos se despache a tratar do meu empréstimo de estudante. Bolas. Já estamos em Novembro. Pensar que me tinham dito que em Setembro as coisas já estariam prontas. MERDA PARA OS BANCOS PORTUGUESES. A sério.
Bem, entretanto, quem é que me quer mandar umas latas de sardinha?

Antes que Outubro acabe, novidades.

29 outubro, 2011

E já estamos no fim de Outubro. Vivo em Milão há mais de um mês e as novidades ainda surgem todos os dias, as aventuras não se repetem e as conversas nunca são as mesmas. É um circo infinito e a surpreender a cada novo número, sou público e palhaço e por agora, está tudo bem.
Eu sinto-me em casa muito facilmente, é uma característica minha. Assim, enquanto estou aqui, na sala de Estudo da Residência, o sol triste de Milão cumprimenta os papéis espalhados das aulas de italiano em cima da mesa, é estranho pensar no antes. Estranho pensar em Sacavém, nos dias de calma no Escritório, nos dias de cigarros com a Joana Frederico, nos dias de chuva, nos dias de autocarros intermináveis. O que não significa que não tenha saudades.
Mas, parece-me que a minha vida neste momento tinha mesmo que ser aqui. Neste lugar, com estas pessoas, mesmo com estes problemas. Nem tudo é sempre bom.
Esta semana foi terrível. O empréstimo de estudante parece não chegar nunca, o pagamento da residência foi adiado até mais não e o meu pai lá conseguiu enviar-me os 300 euros no dia limite. Ainda não sei como vai ser, tendo em conta que já tinha recebido um papel, ainda não falei com ninguém. Pelo menos paguei pronto. Pode ser que corra tudo bem.
A seriedade das aulas finalmente apanhou-me. Falar em italiano não tem sido uma coisa fácil, todos os dias há uma evolução, uma nova palavra mas parece tão pouco, tão mísero. Ainda não consigo ter uma conversa normal em italiano embora normalmente perceba o que me querem dizer. Ando a falar quatro línguas ao mesmo tempo na maior parte das vezes. Italiano, Espanhol, Português e Inglês misturam-se na minha boca e na minha mente. Desconfio se continuar assim vou ficar sem saber falar de todo. Tenho paura (medo) dos exames, das aulas, dos testes, das coisas. Mas mesmo assim, sabe bem estar aqui. Sabe bem andar por estas ruas, sabe bem saber que estou em Itália.
Porque um dia, há pouco tempo atrás parece, tive 16 anos e queria morrer. Morrer porque a vida era sempre a mesma, as pessoas eram sempre as mesmas, as novidades eram sempre as mesmas. O meu quarto branco de 4 paredes parecia cair em cima de mim tal como todo o resto do mundo. Queria tanto viajar, queria tanto sair, queria tanto ver o mundo para além da minha casa, das minhas coisas. E valeu a pena ficar. Valeu a pena ficar para viver isto,ver isto, conhecer estas pessoas.
Pelo menos há isto, pelo menos ainda há este prazer de viver e sinto-me abençoado. O resto correrá como tem que correr. Só posso esperar que bem. Os problemas que aparecerem enfrento-os, penso em alternativas, opto por caminhos, discuto com alguém, pelo ajuda. O desespero já não conhece o meu nome, pelo menos na maior parte das vezes.
Entretanto, noutros níveis a vida deu uma volta engraçada. Não é amor, nem tem nada a ver com sentimentos, é uma outra coisa que tem sido um peso no meu coração e na minha vida há tantos anos que por agora, não quero falar. Tornou-se uma nova obsessão, não é saudável, não me está a fazer muito bem, mas também me sinto feliz por isso. Saber que consigo. Saber que poderei a vir impressionar aqueles que sempre tinham achado que eu ficaria o mesmo...Mais sobre isto noutro dia, tenho que ir estudar italiano, tenho que fazer isto e aquilo e não me apetece falar mais. Hoje há Teatro, Feira e Crepes com os franceses ( o casal mais cinema francês que eu já vi ). Hoje há vida. E agradeço por isso.

Milano Sonhando

14 outubro, 2011

Os últimos dias, ou melhor, desde que estou aqui, parece que me cerca este véu de absurdo, de sonho, de mágico. Nada é realmente importante, nada é realmente sério. Os dias correm uns atrás dos outros, depressa. Cada um, trás no seio um sonho novo, uma aventura nova, um novo vício. É difícil recordar Lisboa, quando mais o Algarve. Dizer que a minha vida mudou outra vez é um understatement. Dei tantas voltas que o mais certo é a acabar a vomitar numa esquina qualquer.

Mas, realmente falta qualquer coisa. Para além de dinheiro, como é óbvio. Faltam-me os meus amigos, os lugares que conheço, a sensação de estar em casa. Sempre, mais ou menos a esta hora da noite, surge-me no coração a lembrança, a saudade, a vontade de os voltar a ver a todos. Começámos mesmo agora a seguir caminhos diferentes, nem foi há um mês e já noto as pequenas diferenças, as piadas que eu não conheço, as aventuras que eu não participei.

O mundo avançou. Outra vez. Tal como tinha avançado há um ano atrás. Tal como tinha sido. O sentimento porém, não é o mesmo. Pelo menos, agora que escrevo isto me apercebo que não é o mesmo. Definitivamente, no ano passado as coisas eram diferentes porque eu sentia mágoa, solidão, talvez até raiva de quem eu sentia que me tinha abandonado. Agora, é mais o doce sabor da memória, do bom tempo passado. Porque houve momentos bons. Houve sim senhor.

Tudo preparação para Milão, acho eu. Era impossível estar aqui como estou hoje sem as aulas de espanhol, sem a Ruta Ibérica (porque a maior parte dos meus conhecidos é espanhol), era impossível estar aqui hoje sem Lisboa e a prática de sair à noite, beber, conviver. Era impossível estar aqui hoje sem aqueles brutos anos de secundário, de 3º ciclo de escrever com x's e com z's. Tudo o que fiz até agora levou-me aqui. E isso era um sentimento que também sentia em Lisboa.

Toda esta promessa da vida a ser cumprida, todas estas aventuras fantásticas, finalmente a acontecerem quase que me sabe a sorte a mais. Quase que tenho medo, quase que me assusto com a possibilidade de estes serem de facto os melhores anos da minha vida. Não. Digam-me que há mais para viver. Há com certeza mais Itália, isso é um facto. E mais outros tantos locais mágicos que quero conhecer. Há ainda o sonho de Nova Iorque, cada vez mais fundo, cada vez mais instável porque agora que peguei nas rédeas do sonho é que vejo o quão difícil será. 

E quero continuar a viver. Preciso de desesperadamente acreditar que vou continuar a viver. Mesmo que em Lisboa, mesmo que sem Nova Iorque, mesmo que sem livro. Aventuras. Vida, novas pessoas. Será isto a maldição erasmus? O pavor de ficar demasiado tempo num sítio? É uma vida de conquista e de perda. Todos os anos a cultivar um coração, todos os anos a abandoná-lo. Será que me habituava? A ter o coração cheio de saudades a todo o momento, a pensar neste ou naquele sítio com aquela ou outra pessoa? A ter flashbacks do passado, como numa série teen? 

Sim. Sim, isso implicar ao menos ter histórias para contar, histórias para viver, sítios para conhecer. Coisas que encontrar. Pessoas. Amigos novos. Escrevinhar novos romances na minha cabeça, pensar em novos e melhores sonhos. Mesmo que isso implique aquela lágrima que insiste em saltar dos meus olhos, quando vejo aquela foto. Mesmo que isso implique esta dor no coração de ver um amigo triste e não poder estar lá.

Ontem, andava a ler o meu nanowrimo. Assim pela madrugada fora, como estou hoje. E ao ler aquelas linhas, lembrei-me de tanta coisa. Tinha esquecido de tanto, sinceramente. Dos primeiros tempos bons da casa, da Joana na casa, das nossas conversas. Porra. Evolução. Muita evolução.

Crescer. É assustador o que um ano e um bilhete de avião fazem a uma pessoa. E agora, Novembro surge outra vez e numa maneira, estou no mesmo ponto que estava. Estou num novo sítio, a conhecer pessoas, a falar com gente, a viver os primeiros tempos de casa, de faculdade, de experiências. Estou a aprender uma linguagem nova. Mas a viver isso em certa forma duma maneira diferente. Porque já vivi. Tenho calos de aprender certas coisas. Não é na realidade uma segunda oportunidade de refazer o passado. O passado, passado está (perdoem-me a redundância) e não estão aqui as pessoas que estavam em Sacavém. Não está aqui o Kiwi, não está aqui o que era nosso. É só uma segunda experiência.

Ainda não sei para onde vou e isso é certo. Lembro-me de por estar altura estar tão confiante com algumas coisas que caíram logo depois de Novembro, do Natal e da distância. Lembro de como Fevereiro mudou a minha vida. De como daí até ao Verão é que realmente já tinha qualquer coisa de diferente. Por isso, por um lado ler o nanowrimo ajudou-me a perceber o quão as coisas ainda vão mudar e evoluir. E isso é uma coisa boa, eu acho. Começava a ter aquela sensação que já tinha vivido tanta coisa que Milão não me poderia oferecer mais. Que ia ficar viciado em novidade...

Enfim. Um longo testamento sobre Milão às duas da manhã dá sempre origem a problemas pseudo filosóficos. Eu disse pseudo, não atirem pedras!