Férias com Filmes VII

04 janeiro, 2012


Melancholia (2011)

Um filme para absorver lentamente nestes tempos estranhos. A história entrelaçada de duas irmãs entre o medo, a depressão, o mistério, a morte, o amor. A verdadeira realidade humana, a nossa essência mesmo nos Dias do Fim (e nos Dias de Ouro também). Não mudamos nós, mudam as circunstâncias? Um filme que levanta perguntas e que consegue ser belo.
Um nota para a cena de nudez de Kirsten Dunst que destrói a imagem de menina que se cria dela e que é crua e fatal por isso mesmo.
A ver!

2012 - The End

03 janeiro, 2012

Um novo ano chegou.
Apenas mais um passar dos dias, das noites e das horas. Basicamente uma mudança de números, de formalidades. O tempo esse, sei bem que não existe - e não existindo tem o poder supremo de controlar tudo e todos. É uma coisa engraçada esta a do tempo, das mudanças, das pequenas coisas que acontecem dia sim, dia sim. Não há um único dia na minha vida que tenha passado em branco - mas talvez por isso mesmo seja preciso apaga-los. Na orgia de pensamentos, emoções e acções há muita coisa que tem que se esquecer para se sobreviver ao tempo...se é que se pode sobreviver a uma coisa que não existe.
Não. Este ano não há listas, não há desejos. Sonhos ainda os há e bom sinal será se sempre os houver. Mas a patetice de mudar de vida só porque é dia um já não cola.
Ainda assim há a esperança que seja um ano bom, que seja um ano desafiante, que seja um ano que traga mais e melhor. Mesmo que pareça improvável.
Até porque, bem vistas as coisas não tenho tido um mau caminho, embora me acusem de não ter experiência de vida, embora me acusem de ser um sonhador, um romântico, um rapaz aluado. É preciso muita força para nos aguentarmos a nos próprios e vou caminhando e aguentando o que dizem de mim, o que pensam de mim, o que falam de mim. É a vida natural de quem escolhe ser amante de palavras, quem escolhe fazer arte com o pensamento e transformá-lo em algo organizado e palpável.
As escolhas que tenho feito na minha vida levaram a este particular momento de existência...A surpresa dos desenlaces da vida não deixa de me surpreender e apaixonar. Digam-me o que disserem, é maravilhoso viver. E agora sim, com aventuras para trás parece que já vivi. Estarei a entrar num grau superior de vida? Estarei finalmente a ser uma adulto? O que é isto de ter 19 anos?...
E os segundos passam no relógio da cozinha, fechando e abrindo momentos, oportunidades e vivências.

Bom 2012 Lya =)
(a minha maior fã)

Este sentimento outra vez? Deve ser uma doença portuguesa

26 dezembro, 2011

Depois deste curto período de tempo (ainda assim significativo) tinha-me esquecido de muitas coisas. Diga-se de passagem eu sou um perito a esquecer coisas. Só me lembro do bom, do estranho, do original. O mau apaga-se na mente, os detalhes perdem exactidão, as lições são escritas e tento decorá-las.
Mas, agora, voltando a casa há coisas que sabem ao mesmo. Há fotografias que ainda andam na minha carteira como maldições, como cruzes que carrego. Ainda há nomes que fazem o meu coração doer. Ainda há situações estranhas e potencialmente traumáticas como jantares de família de natal ou passagens de ano em casa.
Ainda há muita coisa do mesmo que volta do passado. Ainda amo quem prometi nunca amar, que jurei nunca ter amado. Ou pelo menos ainda ando tão embriagado nesse amor que ainda me destrói um bocadinho todos os dias. 
Não sei se algum dia saberei amar uma só pessoa, e se esse amor será algum dia produtivo e não destrutivo. Se algum dia serei menos adolescente a lidar com a relação beleza & personalidade & possibilidade. Será que algum de nós chega realmente a esse estado de sabedoria em que se sabe dividir e por cada coisa no seu lugar? Ou será que é sempre fome e vontade de comer?
Espero realmente em 2012 não ter que escrever mais sobre desilusões e dúvidas sobre o amor. Vou acabando com as palavras, vou cansando a alma e vou-me matando sempre que isso acontece.

Não sei, Não sei, Não sei.

Há de ser para sempre

24 dezembro, 2011

Eu de cigarro na mão, Marlboro Gold se ando rico, outra porcaria qualquer se ando pobre. A Maria com um sorriso de orelha a orelha, a Carla de cabelo vermelho e a Joana de mão dada com algum namorado. Nós ali em Faro, na baixa, num bar a ouvir um concerto. Há de ser para sempre. As histórias de secundário que ainda vivem em nós, agora como memória de qualquer coisa que passou mas que até foi boa.
Há de ser para sempre esta amizade, mais longe ou mais próxima que faz crescer as conversas, os risos. Sempre o mesmo estilo, o nosso. Uma cerveja aqui outra ali. A Mãe, a Rebelde, a Especial, o Promessa sempre ali. Sempre nós.
Já tinha saudades disto, caralho!

Férias com Filmes VI


The Help (2011)

Um filme que deu muito que falar este ano. Toda a santa gente elogiou o papel de Viola Davis que é de facto uma grande representação. O discurso oral, os gestos, as lágrimas de Viola enchem de emoção qualquer um, é um facto. Mas é também uma agradável surpresa de Emma Stone, num papel mais maduro (ainda assim com aquele papel-tipo que ela costuma fazer.
É um bom filme, sem dúvida. A representação da mulher negra naquele tempo, o retrato duma sociedade que duma maneira ou de outra ainda vê os negros como escravos, de meninas que são postas num mundo para casar. Digam o que disserem, achei que estava bem construído.
Mas, parece perder um pouco do espírito no fim. Após alguns momentos altamente emocionais, perdemos a noção de quem é a protagonista afinal - a história pertence a  Eugenia ou Abileen? Perdemos o foco. A vida de Skeeter acaba por ser pouco explicada. E apesar das representações brilhantes de Viola e Octavia Spencer acho injusto por de lado Emma Stone ou Bryce Howard (a jornalista e a racista).
Jessica Chastain tem um papel interessante como Celia Foote mas o grande problema deste filme é acabar por não ser profundo o suficiente e levantar dúvidas.
É ainda assim um filme interessante sobre um período social negro (em mais maneiras do que uma). A ver! 

Férias com Filmes V

22 dezembro, 2011

Coco Avant Chanel (2009)

Coco é uma das personagens incontornáveis da Moda. E digam o que disserem a Moda continua a ser uma coisa importante na vida de cada um, provocando maiores mudanças culturais do que aquelas que possamos imaginar à primeira vista. Assim trabalhar na moda é muitas vezes trabalhar com o mundo, inventar qualquer coisa nova, trazer mudança. Uma arte de valor demasiadas vezes ofuscada pela futilidade de alguns. 

De qualquer forma, andava para ver este filme há algum tempo. Audrey Tautou há de ser sempre Amélie ou Sophie e tem o encanto das mulheres francesas. Estava curioso para ver o seu papel aqui, numa personagem tão desafiante - sendo de um lado uma heroína nacional e por outro uma vilã.

Este filme é sobre o lado bom de Chanel. Sobre o lado da sua vontade de lutar, de marcar-se como diferente num mundo dominado por homens, de não se querer escravizar pelo amor e entrar em sonhos impossíveis. É um filme lindo, cenários lindos, roupas lindas, detalhes impecáveis. Tiro o meu chapéu. Todo o jogo de cores e de luzes foi perfeitamente executado (na minha modesta opinião).

De alguma forma ficamos a torcer por Gabrielle e aplaudimos o seu final (mesmo que depois disso ela tenha tomado um ou dois passos "menos Chanel"). Um filme a ver, pela roupa, pela história, pela mulher, pela actriz.

O telefone toca


Toca de seguida, amigos de sempre que telefonam para me perguntar como estou, para saber se estou bem, que histórias tenho para contar, telefonam para gozarmos e rirmos um bocado que as chamadas grátis afinal até fizeram falta. O Facebook dá notificação de mensagem atrás de mensagem. 

"Que tal de regresso? Que tal de Lisboa, Que tal de Algarve?"


E eu sem saber o que dizer. Não tenho em mim para escrever o que sinto e mal consigo falar. O primeiro dia em Lisboa foi frio. Não que estivesse assim tanto frio, mau tempo e temperaturas quase no zero já são o prato do dia para mim, mas foi fria a recepção. É um país mudado. É uma cidade que dantes me parecia um paraíso dourado e agora parece negra. As ruas estão vazias, o povo está triste, as histórias que oiço no autocarro já não me fazem sorrir e há por todo o lado a sensação de mudança, de diferença. A culpa será minha ou de Lisboa? Eu sempre soube que Lisboa não perdoa quem não está.

Mesmo os meus amigos me parecem diferentes. Os abraços são iguais, o amor é igual. Fazemos os mesmos sorrisos inocentes para as máquinas fotográficas, mas em quase 3 meses a vida avançou. Temos agora percursos distintos, histórias diferentes para contar, estamos diferentes mas a amizade parece que ficou no Verão e esse choque de actualidade sente-se enquanto bebemos café e temos as nossas tertúlias de aventuras e mal dizer. 

Vou para o Algarve ainda pouco recuperado da cidade nova que é Lisboa e chego a um Algarve sempre perdido no tempo. Aqui as coisas continuam iguais, exactamente iguais porque há muito que o dinheiro foge por entre as cartas que chegam no correio, por entre os sacos de compras lá de casa. E por qualquer motivo sinto-me perdido num país que já não me parece o meu, numa cidade que não parece minha.

Talvez tenha entrado demasiado bem no espírito Erasmus, talvez tenha gostado de mais, talvez devesse ter posto limites. Habituei-me a uma realidade muito diferente. Tanto que quando um amigo me perguntou se estava a gostar de Milão respondi sem pensar "Sabe bem estar na Europa". Habituei-me a uma nova Europa de cores, de vida, de "Aperitivo" e jantar na "L'Aragosta Innamorata" às sete e meia, todos os dias. Habituei-me a ouvir italiano nas ruas e ler o "Corriere della Sera" de manhã. 

Perdido na translação dos fusos horários, das histórias novas, dos sentimentos velhos, é difícil dizer como me sinto. Por um lado o caminho nem vai ainda metade feito e há já tanto de novo em mim, tanta novidade, tanta alegria. E já há também consequências. O choque de voltar para aqui, de estar outra vez no meu quarto e ver filmes até às quatro da manhã (e desta vez sem o roncar do meu companheiro de quarto!).

Que futuro para mim? O caminho de Erasmus ainda por percorrer, aventuras ainda para serem vividas...O sentimento que o meu País, a minha Pátria morre a cada segundo - e com ele o meu futuro - dá que pensar. No meio da felicidade, da ansiedade e do medo pelo futuro eu e os meus pés, à procura dum caminho. 

O Erasmus já me mudou a vida. O que vem a seguir?